3 º
mes on the road
3º mes:
O local: Milford Sound... colossal!!!
O Melhor: as gentes do pacifico... Fantásticos povos!!!
O Pior: os preços na Nova Zelândia!! Impossível para um tuga...
O Pior: os preços na Nova Zelândia!! Impossível para um tuga...
Estado de espirito: Relaxado!! Conhecer estas gentes do pacifico da uma paz de espirito e uma alegria pelo desejo de sempre cumprido e confirmado!
Contactos com
conhecidos de data longa: Kate em Dunedin e depois em Wellington. Não era de longa data mas será para longa data.
Conclusao pontual (
so para me armar!:) ):
Portugueses pelo mundoNestes alguns dias de viagem, que não sendo muitos também já não são poucos, tenho-me deparado, e não poucas vezes, com a questão, que no fundo esta presente na constante afirmação: nunca encontro portugueses a viajar. Eu próprio em 3 meses não encontrei nenhum e com alguma facilidade o reconheceria não fosse a língua a mesma e ate o sotaque do português de Portugal. Num e noutro encontro é normal que a temática se intrometa na conversa, normalmente logo após o entusiasmo bairrista de partilhar as origens e terra natal.
As razões apontadas, pela minha opinião, porque so por ela mexem meus lábios e escrevem minhas mãos, ou por ela ou por dados, factos e certezas. Mas neste interessante caso não me parece existirem verdades absolutas, nem sequer razão ou razões objetivas. Nem há nem penso poder haver. Mas deixando para estudiosos e mais capazes mentes essa unanimidade e objetividade, deixo aqui as minhas razões (sem ordem nem hierarquia), e são três:
- Somos poucos! Apesar de 10 milhoes dentro de portas e não sei quantos espalhados pelo mundo (apesar de vários destes talvez não se apresentarem como portugueses) a verdade é que comparativamente a muitos outros “ocidentais” países desenvolvidos não somos efetivamente muitos. E para que dados não faltem a tal afirmação seguem-se: GER 80M, FR 66M, UK 66M, IT 60M, ESP 45M, CAN 35M, USA 320M. Pelo contrario pequenos países tem mais viajantes por este mundo: SWE 10M, SUI 8M, DIN 5,5M, IRL 4,5M, NZ 4,5M.
- Somos atualmente um povo culturalmente pouco viajante/aventureiro, apesar dos antepassados navegadores, descobridores, que enfrentaram tempestades, gigantes e tormentas hoje preferimos enfrentar mares calmos, numa praia conhecida, talvez a mesma do ano que já passou, e não ser caixeiro viajante, porque talvez o povo se tenha cansado com tanta viagem por mares desconhecidos e nunca antes navegados. Férias são para descanso e por isso sem grandes movimentações nem vai e vem, sai e entra, faz e desfaz, levanta e senta, cansa e descansa. E quanto a viagens que não são férias… Aqui neste cantinho à beira mar plantado, dias sem trabalho que não ferias, normalmente traduzem-se em desemprego e dificuldades, as palavras licença sem vencimento, gap year, pausa, intervalo na vida, novo rumo, etc (espero que “ainda”) não fazem parte do dicionário diário.
- Somos também diminutos em rendimento. Se na verdade não considere que a qualidade de vida seja muito inferior a muitos dos outros países chamados desenvolvidos (quer pelo nível de preços português quer pelas nossas características, como tempo, segurança, povo, etc), a verdade é que a capacidade de poupança e quando ela existe, o seu valor absoluto, que realmente interessa para viajar por este mundo, são efetivamente inferiores. Quando confrontados com o valor absoluto dos salários percebemos perfeitamente que mesmo altas com taxas de poupança seremos sempre menos capazes financeiramente.
Mas se na primeira razão apresentada os factos são factos e não se alterarão muito (e tendência é de redução); se na segunda é uma decisão de cada um e de cada qual e se assim somos é porque assim queremos ser, e quando assim é não há o bom e o mau, o correto e o incorreto, o melhor e o pior, o evoluído e o atrasado, há o que cada um é e que no conjunto faz aquilo que somos; quanto à razão financeira, digo-a, ou dizemos muitas vezes, quase como uma fatalidade. Povo de fado e fatalidades nos caracterizamos, porque muitas vezes aceitamos que assim seja e esquecemo-nos de nos tornar naquilo quer queremos ser. E por isso apesar de ser um facto, também o podemos remediar, nós que de entre tantas e tao boas características esta seja talvez a que mais nos diferencia dos outros países, o desenrasque, que para melhor soar a gente mais erudita podemos chamar de capacidade de adaptação, de melhoramento, ultrapassar adversidades, dar a volta a situações difíceis, etc… para nos sera desenrascar. Vejamos:
A grande maioria dos estudantes não trabalha durante o curso (claro que muitos o farão e esses merecem um duplo diploma pelo esforço e capacidade), mas poderiam, e talvez deveriam, mas isto daria mais uma dissertação que com certeza muitos já a terão feito. Assim uma simples equação: se durante 4 anos trabalhassem 3 horas por cada dia da semana com um salario hora de 3,5€ durante 10 meses teriam juntado 8.400€. Se num mês de verão trabalhassem o mês com um salario de 400€, juntariam em 4 anos mais 1.600€, num total de 10.000€. E no final teriam um valor que se diz redondo porque a matemática assim quis e ela nisto das contas dita os resultados.
A questão agora poderá ser: chega para o GAP year? A resposta simples é: claro que sim!
Mas partindo do caso concreto para não ser acusado de falar em abstrato, parto do orçamento que fiz para esta viagem (15.000€) e que até ver não estará longe do real, não fosse o preparo de auditor, as varias horas de orçamentação e, claro, o fiel companheiro excel, por isso se algo falhar a culpa sera da vontade que tantas vezes vence a razão. Mas partindo do orçamento para esta viagem, de países caros e quase todos os lugares turísticos, poderemos com facilidade reduzi-lo em 20% com 2 simples açoes: não efetuar tantas viagens, ficando um dia a mais em cada lugar (-1.960€); cozinhar nos hosteis (-1.000€). assim com 10.000€ seria possível fazer 5 meses deste plano, se a isso juntarmos 1 mês de voluntariado espalhado ao longo da viagem chegamos aos 6 meses deste caso concreto. A matemática não engana... a vontade é que pode não querer! Mas facilmente poderemos gastar entre 1.000€ a 1.500€ mês e com 2 meses de voluntariado esticar o tempo para 8 a 12 meses.
Teriamos assim um belo gap year cheio de aventuras, historias e uma experiencia enriquecedora que tanto beneficiara quem a fez assim como a evolução cultural do pais de origem. E Portugal precisa!! Claro, na minha opinião porque so por ela mexem meus lábios e escrevem minhas mãos…:)
Só falta a vontade!!! (e dirão os justos observadores, mas a ti que tanto escreves e talvez pouco digas também nada disso fizestes! E responde quem se arrepende do fundo do seu ser por não o ter feito: têm toda a razão!)
Em anexo a evidencia :) a estas equações.
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